'Achei que ia morrer': britânica adverte sobre canetas emagrecedoras vendidas pela internet

  • 25/02/2026
(Foto: Reprodução)
A britânica Emma Dyer, que pede restrições mais rigorosas às canetas para perda de peso BBC Emma Dyer se lembra do momento em que clicou em "comprar agora" em um anúncio online de canetas emagrecedoras. Ela não passou por nenhuma consulta médica, não teve sua identidade verificada e não respondeu a nenhuma pergunta sobre seu histórico de anorexia e bulimia. "Foi muito fácil", diz ela. "Eles nunca perguntaram sobre meu histórico médico ou quais medicamentos eu estava tomando. Foi como fazer despesa." Poucos dias depois de tomar as injeções, Emma desmaiou no chão do banheiro e pensou que ia morrer. Ele tinha um histórico de transtornos alimentares e diz que havia atingido um peso saudável, se sentia estável e trabalhava em um emprego que gostava. Mas um comentário de uma cliente, que disse "você ficava muito melhor quando era mais magra", a fez entrar em uma espiral destrutiva. "Cheguei em casa uma noite e me precipitei", diz ela. "Digitei 'injeções para emagrecer'. Eu só queria perder peso o mais rápido possível. Pensei que, se eu fosse magra de novo, as pessoas me aceitariam — e eu me aceitaria." Emma pagou £ 115 (ou cerca de R$ 800) pelo que pensava serem injeções de Saxenda, uma caneta feita à base de liraglutida, a primeira molécula emagrecedora lançada no mercado, que pode levar à perda de até 8% do peso corporal. A mulher de 40 anos, de Carlton, em Nottinghamshire, disse que o site não oferecia nenhuma garantia, apenas pedia seu índice de massa corporal (IMC), sobre o qual ela pôde mentir. "Se eles tivessem verificado meu histórico médico com meu clínico geral, acho que eu não teria conseguido comprar", diz ela. "Meu IMC era normal. Eu simplesmente não estava em condições de tomar uma decisão lógica." BBC 'Eu estava alucinando' Quando as injeções chegaram, em março de 2024, as instruções estavam "mal impressas", diz Emma. Sem perceber que precisava começar com uma dose baixa, ela injetou uma dose média. "No primeiro dia, eu não tinha apetite. Pensei: 'Isso é ótimo, é isso que eu quero'. Aí, no segundo dia, tudo começou", diz ela, que desmaiou no chão do banheiro. "Eu não conseguia me mexer, não conseguia falar, não conseguia abrir os olhos", conta. "Estava tendo alucinações e vomitando tanto que comecei a vomitar sangue. Eu literalmente pensei: 'É isso aí — é assim que vou morrer'." Envergonhada e assustada, ela não contou para ninguém. "Eu sei que as pessoas teriam dito: 'Emma, ​​você não precisa tomar isso'. Mas na minha cabeça eu não achava que estava bem. Então, lidei com tudo sozinha." Paciente segura caneta emagrecedora Getty Images/BBC Ela decidiu compartilhar sua história na esperança de que outros pensem duas vezes antes de encomendar canetas emagrecedoras online. De acordo com dados recentes de pesquisadores da University College London, na Inglaterra, cerca de 1,6 milhão de adultos no Reino Unido usaram injeções para emagrecer no último ano. Algumas pessoas conseguem obter as canetas — como Ozempic e Mounjaro — pelo Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), mas a maioria as compra de forma particular. Ambos os medicamentos funcionam como supressores de apetite, imitando um hormônio chamado GLP-1, que dá a sensação de saciedade. As injeções são altamente eficazes, mas especialistas dizem que os usuários devem estar cientes do risco de ganho de peso após interromperem o uso. Claire Fuller, diretora médica nacional do NHS na Inglaterra, afirma que a organização está preocupada com relatos de vendedores não verificados e com a promoção de injeções para emagrecer sem "supervisão clínica, exames médicos ou acompanhamento". "A falta de supervisão pode pôr a saúde dos pacientes em risco e também pode haver preocupações sobre a qualidade ou autenticidade dos produtos oferecidos", diz ela. "Os medicamentos para perda de peso são remédios potentes e podem ter efeitos colaterais graves, por isso só devem ser prescritos por um profissional de saúde devidamente treinado." O NHS acrescentou que o acesso a esses medicamentos anda de mãos dadas com "apoio comportamental e cuidados abrangentes". "O apoio estruturado de cuidados abrangentes concentra-se na boa nutrição para promover a saúde e no aumento da atividade física", acrescentou um porta-voz. Os perigos dessas canetas emagrecedoras A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido publicou orientações sobre como obter injeções para perda de peso com segurança e os riscos a serem considerados. No Brasil, a venda dessas canetas é permitida apenas com receita médica, mas a venda pela internet, muitas vezes manipuladas ilegalmente ou vindas do Paraguai, tem preocupado as autoridades de saúde. Daniel Magson, CEO da First Steps ED, uma instituição de caridade que atende pessoas com transtornos alimentares, afirma que a experiência de Emma reflete uma tendência preocupante. "Estamos vendo um aumento enorme no número de pessoas que acessam injeções para perda de peso — algumas em farmácias, outras online e, em alguns casos, até mesmo em salões de beleza", diz ele. "E elas não estão recebendo o apoio adequado." Magson afirma que a instituição de caridade está testemunhando um padrão: Ele diz que o número de encaminhamentos para sua instituição aumentou drasticamente. Em 2024 e 2025, a organização diz ter recebido 1.339 encaminhamentos de adultos, representando um aumento de 57% em comparação com os 852 do ano anterior. "Agora estamos treinando a equipe não apenas sobre injeções para perda de peso, mas também sobre como a mudança nos ideais corporais causada por elas está reativando os problemas nas pessoas — incluindo aquelas que se recuperaram décadas atrás", diz ele. A farmacêutica Grace Pickering BBC Seu receio é que os serviços de apoio estejam sendo deixados para "lidar com as consequências". A farmacêutica Grace Pickering, que trabalha na Well Pharmacy em Alfreton, no condado de Derbyshire, diz que a experiência de Emma está longe de ser um caso isolado. "Já tivemos algumas situações bastante preocupantes em que pessoas me mostraram coisas que não vieram de profissionais médicos", diz a jovem de 29 anos. "Se você compra de uma fonte não confiável, o medicamento pode não ser o que diz ser." Grace afirma que sua farmácia segue as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Geral de Farmácia ao oferecer um protocolo de emagrecimento, que inclui uma consulta presencial inicial antes da prescrição do medicamento e acompanhamento mensal posterior. Ela acredita que todos os fornecedores deveriam atender a esses mesmos padrões. "Tudo o que queremos é que o serviço seja liderado por um profissional médico", diz ela. "Consultas presenciais, acompanhamento regular e suporte imediato caso os pacientes precisem conversar sobre efeitos colaterais." Emma concorda e diz que sua experiência mostra por que uma regulamentação mais rigorosa é necessária. "Eles deveriam pedir evidências fotográficas, ver a pessoa, verificar seu IMC, saber quais medicamentos ela está tomando, pedir prontuários médicos", diz ela. "Não se trata apenas das verificações. É antes, durante e depois. Você precisa desse apoio contínuo." Emma diz que espera que falar sobre sua experiência incentive outras pessoas a pensar duas vezes. "Foi o maior erro que já cometi", diz ela. "Recaí no meu transtorno alimentar. Quase morri. Não desejo isso a ninguém." Anvisa emite alerta sobre uso de canetas emagrecedoras

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/02/25/achei-que-ia-morrer-britanica-adverte-sobre-canetas-emagrecedoras-vendidas-pela-internet.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes