Audiência de suspeito por morte de jovem em motel é remarcada para 2027 no Acre: 'Impunidade'

  • 22/09/2026
(Foto: Reprodução)
Rayza Emanuelle Oliveira Souza, de 25 anos, foi encontrada morta em motel em Rio Branco em setembro do ano passado Arquivo pessoal Um ano após a morte de Rayza Emanuelle Oliveira Souza, de 26 anos, em um motel de Rio Branco, a audiência de instrução do processo que tem Werner Lima Andrade, de 34 anos, como réu foi remarcada para 24 de fevereiro de 2027, conforme apurado pelo g1. A audiência do caso estava prevista para 14 de setembro deste ano. A família afirma que não foi informada sobre o motivo do adiamento. Werner é denunciado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) por homicídio simples e responde ao processo em liberdade. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp A reportagem entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) para saber por que a audiência marcada para setembro não ocorreu. Em resposta, o órgão informou que não poderia fornecer detalhes sobre o andamento do processo porque o caso tramita em segredo de Justiça e está na fase de instrução. 👉Contexto: Rayza Emanuelle Oliveira Souza foi encontrada desacordada na noite de 18 de setembro de 2025 em um quarto de motel. Funcionários acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas a jovem já estava morta. Na época, a Polícia Civil iniciou as investigações para esclarecer as circunstâncias da morte. Seis meses depois, o inquérito foi concluído e Werner Lima Andrade foi indiciado por homicídio. O g1 conversou com parente de jovem encontrada morta em motel na capital acreana LEIA MAIS: Acusado de matar jovem em motel deve ser ouvido em audiência no AC: 'Não merecia o que aconteceu', diz mãe da vítima PM é condenado a mais de 40 anos de prisão por matar mulher na frente das filhas dela no Acre: 'Aliviada', diz irmã 'Imagens reapareciam nos sonhos': Servidora lança livro inspirado em casos de feminicídio no Acre Ao g1, a mãe de Rayza, que pediu para não ser identificada, contou que esteve no local onde ocorreria a audiência na data anteriormente prevista. Mas ao chegar, foi informada de que a sessão havia sido cancelada e que uma nova data seria marcada. “Fez um ano agora dia 18 de setembro. Ela está debaixo do chão e ele vivendo a vida dele normalmente. Estava esperando para ver se a Justiça seria feita, mas até agora nada”, afirmou. Uma tia de Rayza, que também pediu para não ser identificada, afirmou que esperava que o caso avançasse e questionou o fato de o réu responder ao processo em liberdade. “Não sei porque ele [Werner] ainda está solto. Ele matou a mulher. Acredito que ele possa ir a júri mas é capaz de ser solto, do jeito que está indo. É impunidade mesmo”, disse. O caso Rayza foi encontrada desacordada na noite de 18 de setembro de 2025, dentro de um quarto de motel em Rio Branco. Funcionários acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas a jovem já estava morta quando a equipe chegou. Segundo a denúncia apresentada pelo MP-AC, Werner estava com Rayza no quarto e deixou o local sem prestar socorro quando ela passou mal. Ainda conforme o Ministério Público, ele trancou a porta ao sair e levou a chave consigo, o que teria dificultado o atendimento da jovem. O inquérito policial foi concluído cerca de seis meses após a morte. Werner foi indiciado por homicídio e, posteriormente, denunciado pelo MP-AC. Werner Lima Andrade responde por homicídio pela morte de Rayza Emanuelle. Nova audiência foi remarcada para fevereiro de 2027 Reprodução Na época do depoimento à Polícia Civil, Werner afirmou que encontrou Rayza nas proximidades do motel e pagou por um programa. Segundo o relato dele, os dois consumiram drogas no quarto e, depois de algum tempo, a jovem começou a passar mal. Ele disse aos investigadores que tentou acordá-la, colocou uma toalha molhada no rosto dela e um travesseiro sob sua cabeça, acreditando que Rayza estivesse apenas desacordada. Werner afirmou ainda que deixou o motel porque ficou assustado e negou ter intenção de procar a morte da jovem. Sobre o celular de Rayza, o réu declarou que não se lembrava de ter levado o aparelho. Ele também admitiu que deixou o motel sem avisar os funcionários de que a jovem estava passando mal. Mãe discorda da versão Para a mãe no entanto, a versão apresentada por Werner à polícia é incompatível com as circunstâncias do caso. "Ele diz que ela passou mal, mas eu não acredito. Se ela estava passando mal, por que não chamou ajuda? Por que trancou a porta e foi embora?", questionou. Ela também diz acreditar que o aparelho poderia esclarecer o que aconteceu na noite em que Rayza morreu . "Tenho certeza que ele deu fim nesse celular porque tinha provas. Eu conheço a minha filha, eles se conheciam, ela não iria pro motel assim do nada com ele'', disse. Rayza tinha diagnóstico de transtorno bipolar e fazia tratamento. Segundo a mãe, a filha enfrentava dificuldades relacionadas à saúde mental, mas isso nunca deveria diminuir a importância da investigação. Ela também afirma que a filha não vivia em situação de abandono financeiro. "Ela tinha os problemas dela, mas era um ser humano. Ela não merecia o que aconteceu. Quando estava bem, ela trabalhava e cuidava dos filhos, tudo direitinho, nunca deixou faltar nada'', lamentou. Rayza Emanuelle tinha diagnóstico de transtorno bipolar e fazia tratamento Reprodução Laudo Inicialmente, a certidão de óbito emitida pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou que a causa da morte era inconclusiva, o que levou a família a contestar o resultado e defender que Rayza havia sido assassinada. Posteriormente, o laudo cadavérico concluiu que Rayza morreu após sofrer um edema agudo de pulmão, que provocou insuficiência respiratória aguda. Apesar disso, os peritos informaram que não foi possível identificar o que desencadeou esse quadro. Ou seja, o exame apontou a causa da morte, mas não sua origem. O IML informou ainda que os exames feitos para identificar álcool e as substâncias tóxicas pesquisadas tiveram resultado negativo, contrariando a versão apresentada por Werner de que os dois teriam consumido drogas antes de a jovem passar mal. Durante a necropsia, os peritos também não encontraram lesões internas ou fraturas que indicassem luta corporal ou traumatismo. O exame registrou apenas uma escoriação superficial no rosto, compatível com o contato do brinco, além de sinais típicos de edema pulmonar, como espuma branca na boca e nas narinas. VÍDEOS: g1

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/09/22/audiencia-de-suspeito-por-morte-de-jovem-em-motel-e-remarcada-para-2027-no-acre-impunidade.ghtml


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