Funcionários da Unimed Ferj relatam demissões sem garantia de direitos; operadora com 350 mil clientes vive crise

  • 08/01/2026
Funcionários da Unimed Ferj relatam demissões sem garantia de direitos Pacientes da Unimed Ferj, que vive uma crise desde o ano passado, afirmam que estão sendo demitidos sem a garantia de direitos trabalhistas. A operadora de planos tem 350 mil beneficiários, que também relatam dificuldades para prosseguir tratamentos e até recusa de atendimentos. Um funcionário que foi demitido há 10 dias diz que houve uma demissão em massa em vários setores. "Acredito que mais de 60% dos colaboradores foram demitidos. Isso colocando na conta o pessoal administrativo, o pessoal de atendimento, os enfermeiros e até seguranças”, conta. “E todas as demissões na mesma sistemática, mandando embora, sem explicar nada, e cada um correndo atrás do seu próprio direito e rescisão. O que a lei prevê sendo parcelado e a lei sendo rasgada. Agora a vida tá de ponta-cabeça. Se não se importam com o beneficiário, que dirá com o funcionário, com o ex-funcionário”, desabafa. O pronto atendimento do Méier foi fechado e o Hospital Marcos Moraes, ao lado, não recebe mais pacientes com câncer. O centro oncológico de Botafogo também foi desativado E um dos maiores hospitais da Unimed, na Barra, encontra-se sem nenhum paciente internado. E, segundo os beneficiários do plano, outras unidades próprias e conveniadas também deixaram de oferecer a assistência. A paciente Ângela Batalha relata que foi cobrada por uma consulta. “Eu clicava no aplicativo para procurar atendimento ambulatorial e dizia ‘não tem na sua região’. Eles falaram que estão há 9 meses sem receber, muitos médicos, e eles pediram pra sair, não querem voltar mais”, afirma ela. “Se a gente quiser ser atendida agora é para dizer que é da Unimed, a gente vai pagar uma consulta mais barata, mas eu não quero pagar consulta, porque eu já pago R$ 5 mil por mês, eu vou pagar consulta para ser atendida?”, questiona Ângela. A TV Globo ligou para alguns hospitais e descobriu que a Rede Hospital Casa e a Rede Oncoclínica não estão atendendo pacientes da Unimed. A recomendação da suspensão partiu da Associação de Hospitais do Rio de Janeiro (Aherj), que alega que a operadora do plano tem R$ 2 bilhões em dívidas. Em nota, a Unimed Ferj diz que a dívida jamais existiu. Em novembro, a Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS determinou que a Unimed brasil assumisse a assistência médica aos clientes da Unimed Ferj. E em dezembro, uma decisão da justiça proibiu a redução da cobertura ou limitação de serviços essenciais. O que dizem as envolvidas A Unimed Brasil afirmou que assumiu apenas os atendimentos aos beneficiários e não as dívidas da Unimed Ferj. A Unimed Brasil disse ainda que mantém interlocução permanente com prestadores, beneficiários e órgãos reguladores e acompanha de forma contínua o atendimento e a prestação dos serviços de saúde aos clientes. Nesta quinta, a Unimed Ferj assumiu que tem uma dívida de R$ 1,4 bilhão e não de R$ 2 bilhões, como afirma a Associação de Hospitais do estado do Rio. A operadora afirmou que desde 20 de novembro segue aberta ao diálogo e empenhada em renegociar com os credores por meio da receita obtida com as mensalidades dos usuários. Sobre o desligamento de funcionários, a Unimed Ferj disse que a mudança de perfil depois do início do acordo com a Unimed Brasil implicou na readequação da estrutura operacional, com redução proporcional do quadro de colaboradores e que as demissões foram previamente negociadas e validades junto ao sindicato.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/01/08/funcionarios-da-unimed-ferj-demissoes.ghtml


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