Governo anuncia saída de delegado-geral e presidente do Iapen no Acre; VEJA quem assume os cargos
08/04/2026
(Foto: Reprodução) Os exonerados: José Henrique Maciel e Marcos Frank
Arquivo/Polícia Civil e Dharcules Pinheiro/Sejusp-AC
A governadora Mailza Assis (Progressistas) definiu mais dois nomes novos para posições na gestão estadual.
Foram confirmados nesta quarta-feira (8) Pedro Paulo Buzolin para a direção da Polícia Civil, substituindo José Henrique Maciel, e o policial penal Leandro Rocha para a presidência do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen-AC) no lugar do delegado Marcos Frank.
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As movimentações ainda não foram oficializadas o Diário Oficial do Estado (DOE), mas foram confirmadas pelo governo do estado.
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Buzolin ocupava a coordenação da Divisão Especializada em Investigação Criminal (Deic). Segundo o governo, ele é delegado há quase duas décadas e já foi diretor de Inteligência e Diretor de Polícia da Capital e do Interior.
Maciel estava no cargo desde 2022, quando voltou à função após cerca de dois anos afastado. (Confira mais abaixo)
Leandro Rocha é formado em Direito e já foi diretor da Unidade de Regime Fechado de Rio Branco, também atuou no presídio Antônio Amaro Alves, Unidade de Regime Provisório, na Guarda Externa e Interna do Complexo Penitenciário de Rio Branco.
Frank foi condenado em março deste ano a 6 anos e 9 meses de reclusão em regime inicial semiaberto por atirar em um carro estacionado na Rua Castanhal, no Residencial Bom Sucesso, em Rio Branco, em 24 de fevereiro de 2024. Conforme a decisão, ele também deveria ser exonerado dos dois cargos.
Na época do ocorrido, Marcos Frank não era presidente do Iapen, uma vez que assumiu o cargo de forma interina em maio de 2024, três meses após a denúncia. Ele foi efetivado em agosto daquele ano.
Os novos nomeados: delegado Pedro Paulo Buzolin e policial penal Leandro Rocha
Arquivo pessoal
Esposa de chefe de gabinete e sobrinho da governadora nomeados
Governo confirmou nomeação de Gabriel Vaglieri, sobrinho de Mailza Assis, e de Simone Santiago, esposa de Jonathan Santiago, entre outros
Arquivo pessoal/Arte g1
Ainda nesta quarta, a a defensora pública Simone Santiago foi nomeada para a Secretaria da Mulher do Acre (Semulher). Simone é casada com Jonathan Santiago, que é o chefe de gabinete de Mailza.
Simone foi confirmada no cargo um dia após a confirmação da saída da delegada Márdhia El-Shawwa. Além disso, conforme apurado pelo g1, Gabriel Acioly Assis Vaglieri, sobrinho de Mailza, foi escolhido para secretário adjunto de Obras.
Segundo o governo, Gabriel é engenheiro civil com formação pela Universidade Federal do Acre (Ufac) e trabalha com gerenciamento de obras e equipamentos no setor de construção civil.
Os nomes ainda não foram publicados no Diário Oficial do Estado (DOE).
O executivo confirmou outras mudanças no alto escalão da administração pública. Entre elas estão o nome de José Bestene, como novo secretário de Saúde (Sesacre), que deixa a direção do Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre (Saneacre) e o vereador João Paulo Silva (Podemos) para a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (Seasdh).
Confira nesta matéria todas as nomeações.
Trajetória conturbada
José Henrique Maciel teve a trajetória marcada por polêmicas no cargo de delegado-geral. Em julho de 2020, ele foi exonerado durante uma investigação do Ministério Público do Acre (MP-AC) sobre suposto esquema de “rachadinha”. Ele retornou ao cargo em 2022, e permaneceu desde então.
Mas as polêmicas não pararam por aí. Em outubro de 2023, ele foi alvo de denúncias de assédio, perseguição e tráfico de influência. A deputada Michelle Melo (PDT) apresentou, durante sessão na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), documentos que mostram o pagamento de R$ 211 mil solicitados de maneira indevida por Maciel. Ele negou.
Conforme os relatos apresentados pela parlamentar, em 2018, quando ainda não era delegado-geral, Maciel redigiu uma petição inicial para receber por 13 dias de férias das quais ele não usufruiu. Quando a Justiça retornou a solicitação, Maciel informou que desejava desistir da ação. Em 2020, ainda conforme a denúncia, ele conseguiu um acordo extrajudicial com a Procuradoria Geral do Estado (PGE-AC) para receber a quantia.
De acordo com Michelle, essa movimentação mostra que o delegado quis “furar a fila” dos precatórios.
Outras denúncias
Nessa época, o g1 teve acesso a uma conversa gravada entre um agente de Polícia Civil e o delegado. O ano foi 2020 e o agente foi chamado após ser ouvido na investigação sobre o suposto esquema de 'rachadinha'.
Na época, mesmo diante dos impasses, o governo disse em nota que confiava na idoneidade e competência do delegado-geral para exercer a direção da Polícia Civil. No áudio que o g1 teve acesso, o delegado intimida o servidor dizendo que tem informações de supostas irregularidades que ele não foi atrás, diz que vai transferir delegados e que não há ninguém para ir contra ele, que é o delegado geral
Uma sequência de áudios mostram o delegado falando frases do tipo:
“Tu [agente] de férias abasteceu o carro [viatura]. Eu tenho documento, cara e eu não fui atrás disso, fora as coisas que eu não fui atrás”
“Pedro Henrique [delegado] não movi uma palha contra ele, tenho provas e não é pouca não, mas são muitas. Eu dou oportunidades”
“Nenhum agente vai querer enfrentar o delegado -geral por besteira, não existe”
“Posso te pegar, ter um dinheiro no orçamento, ir pegar tua ficha, ver onde fez tua opções e te jogar em um município desse aí, Thaumaturgo, Porto Walter, não posso? Mas, não fiz. Tiro R$ 8 a R$ 10 mil do orçamento e pago, vai atrapalhar tua vida para c…”
Confusão em blitz
Maciel foi investigado em setembro do ano passado por uso indevido de veículo oficial após ser flagrado com uma caminhonete de uso institucional e se recusar a fazer o bafômetro durante abordagem da Polícia Militar, em Rio Branco. Ele não se manifestou sobre o caso.
O Ministério Público (MP-AC) divulgou que iria apurar as possíveis irregularidades constatadas pelo Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) na abordagem. A apuração inclui a busca por imagens de câmeras de segurança e por testemunha.
Segundo o auto de infração de trânsito ao qual o g1 teve acesso, o delegado estava com uma caminhonete fruto de apreensão e cedida temporariamente para uso da polícia. Ele se recusou a fazer o teste para detectar possível consumo de álcool e foi autuado.
Além disso, conforme o documento, o veículo estava sem o licenciamento e foi removido ao pátio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
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