Governo Trump é processado por 2 mortes em ataque a barco na costa da Venezuela

  • 27/01/2026
(Foto: Reprodução)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump REUTERS/Jonathan Ernst Os familiares de dois homens mortos em um ataque com mísseis dos EUA contra um barco suspeito de tráfico de drogas perto da Venezuela entraram com uma ação judicial por morte decorrente de ato ilícito, nesta terça-feira (27). Eles alegam que a dupla foi assassinada em uma campanha militar "manifestamente ilegal" que tinha como alvo embarcações civis. Advogados de direitos civis entraram com a ação no tribunal federal de Boston, marcando a primeira contestação judicial a um dos 36 ataques de mísseis dos EUA contra embarcações no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico autorizados pelo governo do presidente Donald Trump que mataram mais de 120 pessoas desde setembro. Familiares de Chad Joseph e Rishi Samaroo -- dois homens de Trinidad que estavam entre os seis mortos durante um ataque em 14 de outubro -- afirmam na ação judicial que os dois trabalhavam com pesca e agricultura na Venezuela e estavam voltando para suas casas em Las Cuevas, Trinidad, quando foram atacados. "São assassinatos sem lei e a sangue frio; assassinatos por esporte e assassinatos por teatro, e é por isso que precisamos de um tribunal para proclamar o que é verdade e restringir o que é ilegal", disse Baher Azmy, advogado dos autores da ação no Center for Constitutional Rights, em um comunicado. Líder da oposição na Venezuela se encontra com Trump na Casa Branca O Center e a American Civil Liberties Union entraram com a ação judicial com base na lei de morte em alto mar, uma lei marítima que permite que familiares processem por mortes decorrentes de ato ilícito ocorridas em alto mar, e no estatuto de responsabilidade civil do estrangeiro, uma lei de 1789 que permite que cidadãos estrangeiros processem em tribunais dos EUA por violações do direito internacional. A ação foi movida por Lenore Burnley, mãe de Joseph, e Sallycar Korasingh, irmã de Samaroo, e busca uma indenização do governo dos EUA pelas duas mortes, e não uma liminar que impeça outros ataques. No entanto, o caso poderia fornecer um caminho para um tribunal avaliar se o ataque de 14 de outubro foi legal. O Pentágono não respondeu aos questionamentos sobre o tema. O governo Trump tem chamado os ataques realizados sob a direção do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, como uma guerra contra os cartéis de drogas, alegando que eles são grupos armados. O governo afirma que seus ataques estão em conformidade com as regras internacionais conhecidas como a lei da guerra ou a lei do conflito armado. Mas os ataques atraíram questionamentos dos democratas e de alguns republicanos no Congresso, que não autorizou ataques aos cartéis de drogas, e a condenação de grupos de direitos humanos. Especialistas jurídicos disseram anteriormente que os cartéis de drogas não se enquadram na definição internacional aceita de um grupo armado.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/27/governo-trump-e-processado-por-2-mortes-em-ataque-a-barco-na-costa-da-venezuela.ghtml


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