Médica e enfermeira são indiciadas por homicídio culposo em caso de bebê dado como morto em maternidade

  • 27/01/2026
(Foto: Reprodução)
Médica e enfermeiras são indiciadas por homicídio culposo em caso de bebê dado como morto Uma enfermeira e uma médica da Maternidade Bárbara Heliodora foram indiciadas por homicídio culposo no caso do recém-nascido de 5 meses de gestão declarado morto na unidade de saúde, em Rio Branco, em outubro do ano passado. A informação foi repassada pela Polícia Civil nesta terça-feira (27) durante coletiva. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) e aguarda retorno. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Os nomes das suspeitas não foram divulgadas. O coordenador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Alcino Júnior, explicou que a perícia identificou que houve negligência e falta de cuidados das profissionais nos pós-parto e imperícia com o bebê. Polícia Civil apresentou resultados nesta terça-feira (27) da perícia e investigações sobre o caso do bebê Jhenyfer de Souza/g1 Acre "Ouvimos pessoas que tiveram contato com essa criança, com a paturiente antes da expulsão do feto, bem como a enfermeira que teve o primeiro contato e a médica neonatologista e demais servidores. A investigação conclui por uma contribuição para uma negligência logo após o parto. Essa contribuição foi importante para o óbito final", explicou o delegado. O inquérito foi finalizado e encaminhado a Justiça. O Ministério Público Estadual (MP-AC) deve oferecer a denúncia. LEIA MAIS: Recém-nascido dado como morto é retirado do próprio velório após família ouvir choro em caixão no Acre Morre recém-nascido de 5 meses que foi retirado vivo do próprio velório no Acre O caso chocou a população acreana e fez com que o governador Gladson Camelí determinasse o afastamento da equipe que atendeu o caso à Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre). A criança não resistiu e morreu por volta das 23h do dia 26 de outubro na Maternidade Bárbara Heliodora, onde estava internado. Familiares constataram que bebê estava vivo e chorando dentro do caixão após ficar cerca de 12 horas dentro de um saco. Reprodução Investigações O delegado Alcino Souza explicou também que ouviu dez servidores durante as investigações, dentre a equipe que atendeu a mãe e a criança inicialmente. Ainda segundo o delegado, o período de 12 horas, em que o recém-nascido foi dado como morto, deixado no necrotério da maternidade até o sepultamento, foi determinante para o óbito. "Esse período negligenciado foi importante. Houve um atestado de óbito inoportuno. Foi identificado no laudo indireto pela perícia. A Constituição Federal nos traz a vida como bem maior. Ainda que as possibilidades de vida fossem mínimas a gente tem a obrigação de lutar por ela. Isso serve para nós policiais, o serviço de saúde", frisou. Segundo ele, a investigação buscou esclarecer se faltou algum tipo de cuidado durante o atendimento que pudesse contribuir para a sobrevivência do bebê. "O que nos parece, o que trouxe o final desse inquérito, é que faltou negligência nesse sentido, ainda que a sobrevida fosse precária", resumiu. Relembre o caso O bebê de cinco meses de gestação já estava sendo velado quando familiares constataram que ele estava vivo e chorando dentro do caixão após ficar cerca de 12 horas dentro de um saco. (Veja o vídeo abaixo). Segundo os documentos que o g1 teve acesso, o bebê nasceu no 24 de outubro e a causa da morte atestada no laudo médico foi hipóxia intrauterina, que é uma condição em que o feto não recebe oxigênio suficiente durante a gestação. No dia 25, quando o caso veio à tona, a situação do bebê já era crítica, uma vez que o quadro médico era de prematuridade extrema, segundo a médica pediatra neonatologista de plantão, Mariana Collodetti. Recém-nascido morreu após depois de ser retirado vivo do próprio velório Após ser retirado chorando do caixão, o bebê voltou para a Maternidade Bárbara Heliodora e respirava com ajuda de aparelhos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da maternidade. A família é de Pauini, no interior do Amazonas, e chegou ao Acre no dia 23 de outubro para dar à luz, já que a mãe estava com quadro de sangramento e precisou ser induzida ao parto. Por meio de nota pública, a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) disse que os protocolos de reanimação foram seguidos pela equipe multiprofissional e que instaurou uma apuração interna para esclarecer os fatos. O caso também será investigado pelo Ministério Público (MP-AC) e pelo Conselho Regional de Medicina (CRM-AC). Por conta da gravidade do caso, o delegado Alcino Sousa instaurou um inquérito para apurar se houve falha médica no atendimento, com a hipótese de homicídio culposo. Reveja os telejornais do Acre

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/01/27/medica-e-enfermeiras-sao-indiciadas-em-caso-de-bebe-dado-como-morto-na-maternidade.ghtml


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