Medo da sexta-feira 13? O ano de 2026 traz más notícias
13/02/2026
(Foto: Reprodução) Sexta-feira 13 é historicamente símbolo de má sorte.
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Para os supersticiosos, este ano traz má sorte – a sexta‑feira 13 cai três vezes: nesta sexta‑feira, 13 de fevereiro, em 13 de março e em 13 de novembro. A frequência com que essa combinação aparece no calendário depende do dia da semana em que o ano começa. Normalmente, há um ou dois dias considerados azarentos, mas este ano, em especial, registra um número maior.
Esta sexta‑feira é particularmente simbólica: um dia azarado em pleno Carnaval. Além disso, em alguns países é também véspera do Dia dos Namorados, que supostamente traz felicidade aos apaixonados. As interpretações são ilimitadas.
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Sexta‑feira 13: da fobia à indiferença
Afortunado ou desafortunado: muitos consideram exagerado o alvoroço em torno da data. "Não me importa que seja sexta‑feira 13", diz um ditado popular. "O importante é que finalmente é sexta‑feira". Contudo, segundo uma pesquisa do instituto de opinião YouGov, aproximadamente uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens na Alemanha provavelmente sentem certa apreensão diante da data.
Entre os entrevistados, 39% das mulheres e 21% dos homens se consideram "supersticiosos" ou "bastante supersticiosos".
Isso tem consequências: hotéis às vezes carecem de quartos com o número 13. Já em aviões, a fileira correspondente é frequentemente omitida.
Ainda assim, as temidas sextas‑feiras são melhores do que sua reputação sugere: estatísticos da seguradora alemã R+V garantem que a sexta‑feira 13 não é mais perigosa do que outros dias úteis.
"Pelo contrário: na verdade há menos acidentes, tanto [envolvendo] seguros de automóvel quanto de danos materiais".
Já a seguradora de automóveis Verti calculou que as sextas‑feiras, em geral, são os dias da semana com maior probabilidade de sinistros: 16,7% das ocorrências são registradas nesse dia. Mas a empresa ressalta: o fato de haver um leve aumento nas poucas sextas‑feiras que caem no dia 13 não é estatisticamente significativo.
A sexta‑feira 13 está perdendo seu apelo?
Isso seria uma boa notícia para os parascavedecatriafóbicos, pessoas com medo patológico dessa data. Certamente, não faltam eventos para reforçar tais temores: em 13 de janeiro de 2017, a tempestade Egon atingiu a Alemanha, causando três vezes mais danos que o habitual. Na sexta‑feira 13 de janeiro de 2012, o navio de cruzeiro Costa Concordia colidiu com uma rocha.
Em 13 de setembro de 1940, uma sexta‑feira, o Palácio de Buckingham foi atingido por bombas alemãs. E em outubro de 1947, numa sexta‑feira 13, o rei Filipe 4° da França iniciou a destruição dos Cavaleiros Templários.
Também há coincidências notáveis relacionadas ao número 13 na loteria: em 9 de outubro de 1955, por exemplo, ele foi o primeiro número sorteado na nova loteria "6 de 49". Porém, desde então, é o que menos vezes apareceu.
Mas uma coisa é certa: esse dia de má sorte só foi estilizado como tal nos últimos 70 anos, conforme descobriu Gunther Hirschfelder, antropólogo cultural de Regensburg. Segundo Hirschfelder, a ideia seria decorrente de uma mistura de diversos mitos, com o número 12 desempenhando um papel central já nas primeiras civilizações avançadas: cada dia é dividido em dois períodos de doze horas; cada ano tem doze meses. O treze, por sua vez, ultrapassa o sistema de base 12 e, por isso, tornou-se um número de azar.
Uma maldição bíblica
No catolicismo, Judas transformou o 13 em um número maligno: treze pessoas estavam presentes na Última Ceia, e ele foi o traidor de Jesus. Por isso, durante muito tempo o 13 também foi conhecido popularmente como "a dúzia do diabo". Quanto aos dias da semana, na Antiguidade a sexta‑feira era considerada o dia da deusa do amor, Afrodite. Jesus, por outro lado, foi crucificado em uma sexta‑feira – um dia de jejum e luto.
Até o século 20, o simbolismo dos números e dos dias da semana não estava vinculado. Os primeiros relatos sobre a influência funesta da sexta‑feira 13 surgiram na década de 1950, sempre com referência aos Estados Unidos.
Suas origens nos EUA remontam ao século 19. Em 1869, um jornalista teve a ideia de associar as oscilações do mercado de ouro americano à data. "Quem se dedica a investigar esse simbolismo sempre encontrará alguma coisa", afirma Hirschfelder. O pós‑modernismo também busca indicadores que estruturam a vida.
"Assim como importamos o Dia das Mães e o Halloween, a sexta‑feira 13 também foi introduzida [na Alemanha] a partir dos Estados Unidos", enfatiza Hirschfelder.
A sociedade atual, amante da diversão, já não leva tão a sério essas noções supersticiosas. A sexta‑feira 13 é, antes, um "flerte não totalmente sério com a má sorte".