'Óculos de obra' podem substituir os de corrida? Especialistas explicam os riscos e diferenças

  • 26/02/2026
(Foto: Reprodução)
Vídeos nas redes sociais popularizaram o uso de modelos mais baratos entre corredores A corrida é um dos esportes mais praticados no Brasil. Com a popularização da modalidade, diferentes alternativas têm surgido nas redes sociais, inclusive soluções mais baratas para quem quer praticar. Uma das mais virais é o uso de “óculos de pedreiro” durante os treinos. A prática levantou dúvidas sobre proteção e eficiência. Especialistas ouvidos pelo g1 explicam se eles podem ou não ser usados e se a economia vale a pena. Um óculos de corrida custa, em média, entre R$ 150 e R$ 300 e é indicado para proteger os olhos contra raios UV, vento e poeira, além de reduzir a fadiga visual em exercícios ao ar livre. Já os óculos usados por trabalhadores da construção civil e outras ocupações custam, em média, de R$ 20 a R$ 30. A diferença de preço gerou questionamentos sobre possíveis equivalências, mas especialistas afirmam que as funções são distintas. “Para prática esportiva ao ar livre, recomenda-se o uso de óculos com proteção UV certificada e design adequado para estabilidade, ventilação e amplo campo visual. Modelos específicos para esporte tendem a oferecer melhor desempenho e segurança”, afirma o médico Oswaldo Ferreira Moura Brasil, presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO). O Certificado de Aprovação e atesta que o EPI segue normas técnicas e foi testado para proteção contra impactos e partículas. O selo, porém, não avalia a qualidade óptica das lentes, o que significa que óculos seguros para o trabalho podem não garantir boa visão para atividades esportivas (veja mais abaixo). O Brasil já conta com mais de 14 milhões de corredores de rua amadores, segundo um levantamento da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). O que muda na prática? Os óculos EPI (Equipamento de Proteção Individual) são desenvolvidos prioritariamente para proteção contra impactos, partículas, respingos químicos e outros riscos ocupacionais. O foco é a segurança no ambiente de trabalho, seguindo normas técnicas específicas. Já os óculos esportivos são projetados para desempenho em movimento: leveza, estabilidade no rosto, ventilação adequada, maior campo visual, conforto prolongado e qualidade óptica compatível com atividades dinâmicas ao ar livre. Além disso, costumam oferecer proteção UV e controle de luminosidade mais adaptados à prática esportiva. Embora ambos possam oferecer proteção mecânica, possuem finalidades e características técnicas diferentes. Freepik Embora ambos possam oferecer proteção mecânica, possuem finalidades e características técnicas diferentes. “Não há evidências robustas de que o uso ocasional de óculos EPI durante a corrida aumente diretamente o risco de acidentes. A principal diferença está relacionada a conforto, adaptação ao movimento e qualidade óptica. Alguns fatores podem influenciar a experiência e a segurança, como menor campo visual, ventilação insuficiente e possíveis distorções periféricas”, diz Oswaldo. Segundo o presidente da SBO, nem todo EPI possui filtro UV adequado para exposição solar prolongada. Caso a lente seja escura, mas não tenha proteção UV comprovada, pode haver risco aumentado de dano ocular. Por isso, a proteção solar deve sempre ser verificada. A oftalmologista Ione Alexim, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e da Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que, na corrida, entram fatores que o EPI não necessariamente atende, como estabilidade diante de impacto repetitivo, ventilação para evitar o embaçamento com suor, distribuição de peso no rosto e campo visual ampliado, sem interferência lateral. Certificado de Aprovação assegura proteção durante a corrida? O CA (Certificado de Aprovação) é um número emitido pelo Ministério do Trabalho que atesta a conformidade do EPI com normas técnicas, como a NR-6. Ele garante que o produto foi testado para proteção contra impactos, luz intensa, detritos ou produtos químicos. “O Certificado de Aprovação não avalia a qualidade óptica da lente. Ele avalia principalmente a resistência a impactos, a proteção contra partículas e a integridade física do material. Não garante ausência de distorção ótica, neutralidade da lente ou qualidade da visão para prática esportiva. Embora os óculos possam ser seguros para o trabalho, ainda assim podem ser ruins para visão e movimento”, pontua Ione. Embora existam critérios mínimos de qualidade óptica, o foco do CA não é o desempenho visual esportivo. Além disso, o certificado não garante automaticamente proteção adequada contra radiação ultravioleta (UV). A proteção solar depende das especificações técnicas da lente e deve estar claramente indicada pelo fabricante. Para atividades ao ar livre, é essencial verificar se o produto possui filtro UV com proteção comprovada. Quais critérios especialistas indicam na escolha? De acordo com Oswaldo, o consumidor deve considerar critérios relacionados à qualidade óptica e à proteção ocular: Proteção UV comprovada (100% UVA e UVB): deve estar claramente indicada pelo fabricante; Ausência de distorções: ao olhar para linhas retas e movimentar levemente os óculos, a imagem não deve parecer ondulada ou deformada; Nitidez uniforme: a visão deve permanecer clara no centro e nas bordas da lente; Conforto visual: o uso não deve provocar tontura, ardor ocular ou dor de cabeça após alguns minutos; Boa cobertura lateral: importante para reduzir a entrada de luz periférica. “Para uso ocasional como solução temporária, óculos EPI podem servir, desde que tenham boa proteção contra os raios ultravioleta. Para corrida regular de longa duração, especialmente para atletas, não é a melhor opção. Óculos esportivo adequado deve ter proteção ultravioleta confiável, boa qualidade óptica, estar estável no rosto, promover o mínimo ou zero embaçamento e reduzir a fadiga visual”, explica Ione. (*Estagiária, sob supervisão de Ardilhes Moreira)

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/02/26/oculos-de-obra-podem-substituir-os-de-corrida-especialistas-explicam-os-riscos-e-diferencas.ghtml


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