Operação mira esquema de tráfico de cubanos pela fronteira do Brasil com a Guiana
05/02/2026
(Foto: Reprodução) Polícia Civil apreendeu R$ 12 mil em espécie durante a Operação Malecón
Polícia Civil/Divulgação
A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (5) uma operação contra um grupo suspeito de tráfico de pessoas que tinha como principais vítimas migrantes cubanos que entravam no Brasil. O responsável esquema, de 32 anos, foi preso. Também foram apreendidos R$ 12 mil em espécie.
São investigados os crimes de tráfico de pessoas e estelionato por meio do uso fraudulento de milhas aéreas. O esquema é investigado pela Delegacia de Repressão aos Crimes Organizados (Draco) desde o fim de janeiro, quando as vítimas denunciaram.
Até o momento, as investigações apontam que os migrantes eram aliciados em Cuba e entravam no Brasil por Roraima, pela chamada "Rota das Guianas", passando por Lethem, na Guiana, com destino a Boa Vista.
"A partir da capital, eram encaminhados para outros centros do país com o auxílio de uma rede que fornecia hospedagem, transporte e logística para os deslocamentos", detalhou a Civil.
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Batizada de Operação Malecón, a ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em quatro endereços nos bairros Buritis e Tancredo Neves, na zona Oeste de Boa Vista.
O chefe do esquema é da Venezuela, segundo a polícia. Ele é "apontado como responsável por coordenar a logística do esquema" e foi preso numa casa que pertence a um policial militar. A Polícia Civil investiga a eventual ligação do militar com o esquema.
O delegado titular da Draco, Wesley Costa de Oliveira, disse que parte dos migrantes cubanos acabou sendo vítima de um golpe associado à própria estrutura criminosa.
"Identificamos que alguns desses cubanos pagaram em dólar por passagens aéreas que foram emitidas com milhas furtadas de vítimas em outros estados. Quando tentaram embarcar, foram impedidos, configurando um crime de estelionato inserido dentro de um contexto maior de tráfico de pessoas”, explicou.
Hospedagem irregular
Segundo a Polícia Civil, suspeito preso na operação gerenciava a permanência dos imigrantes na em Boa Vista, com alojamento e transporte até o aeroporto. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 400 mil das contas dele.
No curso da operação, os policiais localizaram ainda uma casa no bairro Tancredo Neves que funcionava como hospedagem irregular. O espaço tinha cerca de 30 camas destinadas a abrigar temporariamente os migrantes até o embarque. Além disso, não possuía alvará ou identificação formal.
"Essas pessoas chegavam por via terrestre até Lethem e eram encaminhadas para esse local, que funcionava como ponto de apoio logístico”, detalhou o delegado.
Os R$ 12 mil em espécie foram apreendidos distribuídos em diferentes moedas: havia cédulas em dólar americano, peso cubano, peso da Nicarágua e real, o que, segundo a polícia, evidencia a dimensão internacional das atividades investigadas.
Os policiais apreenderam também documentos, chips de telefones lacrados que seriam vendidos aos migrantes, telefones celulares, dois veículos pertencentes ao policial militar e que eram usados na logística para transporte dos imigrantes, além de cadernos de anotações.
"É importante destacar que a investigação demonstra que Roraima está se consolidando como rota de fuga para os cubanos que fogem de Havana. Quanto à investigação, seguimos apurando a participação de outros envolvidos. Até o momento, há pessoas citadas no inquérito, mas apenas um suspeito foi formalmente identificado", disse Wesley.
Operação Malecón
O nome da operação faz referência ao Malecón, tradicional e extenso calçadão localizado em Havana, capital de Cuba. "A denominação foi escolhida em razão das vítimas do esquema investigado ser na totalidade de nacionalidade cubana, simbolizando o ponto de origem de muitos dos imigrantes aliciados pela organização criminosa", disse a polícia.
Operação Malecón cumpriu mandados nos bairros Buritis e Tancredo Neves, na zona Oeste
Polícia Civil/Divulgação
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